Escrevemos com os nossos corpos
Toda a poesia
Indizível
quinta-feira, 3 de julho de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Só
Nos dias mais pesados
Longos, infinitos
Em que carregamos
Penas de chumbo
E o nosso reflexo
Apenas mostra
Uma figura triste
Apagada
Cansada
Só
Porque apenas parece ter valor
O que perdemos
E lembramos
O que não temos
E queremos
O que foi
O que um dia virá
Nesses dias infinitos
Sós
Pensamos
Que a morte dá o sentido final
A tudo
E a tudo nos juntamos
Enquanto esperamos
Pelo que se há de nos juntar
Um dia
segunda-feira, 3 de março de 2014
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Breve inutilidade
Esta estranha força
Que por vezes me domina
De não fazer nada
Em nada pensar
Fico absorto no vazio
E sinto-me
Uma pedra da calçada
Que nem para rachar cabeças serve
Porque não há força que me arremesse
Sou então
Lucidamente
Uma breve inutilidade
sábado, 25 de janeiro de 2014
Horas de cristal
Uma vida em cristal
Em que não se está bem
Nem mal
E o melhor ainda vem
Está à nossa frente
Nas voltas do caminho
E a gente confia e sente
Que é só mais um bocadinho
E passamos assim o tempo
As horas de frágil cristal
Nem bem, nem mal
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Hosana
A minha religião é amar-te
O teu corpo o livro sagrado
Em que descubro os fundamentos da fé
Comungo em cada um dos teus poros
Por ti, contigo, em ti
Vejo todos os milagres
E a prova irrefutável
De que tudo é amor
Em ti ressuscito
Encontro a salvação
A vida eterna
Abençoado o teu ventre
A tua boca, as tuas mamas
Abençoado o teu ventre
A tua boca, as tuas mamas
A tua cona, minha deusa
É o templo em que te venero
Nela te glorifico
Nela te glorifico
E recebo a graça
Da revelação
Do mistério da criação
Ámen
Vai
Se aqui estivesses, beijava-te ternamente.
Dizia-te que tens um compromisso inadiável contigo própria, só contigo, mais
ninguém.
Que tens que te encontrar, porque te tens perdido.
E que te amo. Mas
isso tu já sabes.
Tens que descobrir o resto.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Passo suavemente
Passo suavemente, quase sem tocar, as pontas dos dedos
pelo meu próprio rosto. Vou desenhando os contornos do nariz, dos lábios, da
linha do queixo. Subo lentamente até às orelhas e detenho-me por instantes
nessa pele delicada, nessa carne tenra, lasciva. Continuo com os dedos, a ponta
dos dedos, quase sem tocar, pela testa. São suaves, quase seda, os pelos das
sobrancelhas. Atinjo as pálpebras, que acaricio. Sinto-me bem, assim.
Nunca me acariciaste desta maneira. E é bom. Descobri-o
agora, enquanto descobria o meu rosto, os contornos do meu rosto. São boas, as
minhas carícias.
Até hoje, nas pontas dos dedos, fui sabendo o teu rosto, o
teu corpo, de cor. Talvez tenha conhecido outros corpos, mas assim, na ponta
dos dedos, conheço o teu.
E, às vezes, arrepio-me. Como quando te toco e não me
queres. Quando o teu corpo me rejeita com um subtil, quase imperceptível
movimento. Pode ser que não te apercebas. Às vezes, talvez nem eu me aperceba.
Mas as pontas dos meus dedos sabem sempre.
Porque o nosso amor é, antes de mais, epidérmico.
Amamo-nos em cada poro da nossa pele. Por isso, é um segredo para mim quando te
toco e não me queres.
Em ti
Se o meu coração bate no
teu peito
Se o meu sangue corre nas
tuas veias
Se os meus sonhos são
contigo
Se o meu desejo é no teu
corpo
Sou teu.
Sou em ti.
Um dia sou pai
Um dia sou pai
E volto a ser pai num outro
E desde esse dia, do primeiro
Sou pai todos os dias
Com sol
Ou chuva intensa
Como a que hoje, Dia do Pai, cai
Amo as minhas filhas
E delas são todos os meus dias.
Um chá de fim de tarde
Um chá de fim de tarde na
esplanada do jardim
Perdermo-nos por
travessas e vielas
Debaixo da centenária
árvore entrelaçada
A tua mão, a minha
Entrelaçadas
As estrelas
No céu
A basílica iluminada
Tu
O casario de Lisboa
o Rio
A ponte
O lusco-fusco
Um olhar
A tua face encostada à
minha
O teu cheiro
O encontro das nossas
bocas
Uma na outra
Um abraço
Um perfeito fim de dia
E depois estar e não
estar
Porque fico ainda em ti
Muito depois da despedida
E estranho a minha
própria cama
Porque não te deitas ao
meu lado
Breve história de quase tudo sem epílogo
Emerges do tempo antigo
Desta vida, de outras
De sempre
Voltas a mim
Nunca te deixei
Estiveste sempre aqui
Um reencontro digital
O Chino
O prazer esquecido de te
cheirar
E tocar
E beijar
Amiga
Depois verbalizamos
enlevos
Escrevemos desejos e
sonhos
Virtualizamos este amor
concreto
Materializamos
Seguras-me as mãos
E amo-te assim
Em gestos simples
E quando te abraço
E te fechas e retrais
Amo-te mais
Dizes-me
“Mas a vida, amor.”
Com ponto
Em contraponto
Amor de todas as vidas
(…)
Somos um do outro.
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